Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica. Se houver piora importante, sintomas persistentes ou sinais de alerta, procure atendimento.
A rinite alérgica é uma inflamação do nariz causada por uma reação exagerada do sistema imunológico a alérgenos do ambiente. Ela costuma aparecer com espirros, coriza, coceira e nariz entupido — e pode impactar muito o sono, a disposição e a produtividade. Como otorrinolaringologista especializada em rinologia, reuni aqui orientações práticas, curiosidades e sinais de alerta para você controlar melhor as crises no dia a dia.
Rinite alérgica: o que acontece no corpo?
De forma simples: ao entrar em contato com alérgenos (como ácaros e mofo), o organismo libera substâncias inflamatórias — e isso provoca os sintomas. O resultado é um nariz que "vive reagindo" e fica mais sensível a cheiros fortes, fumaça, mudanças de temperatura e poluição.
Curiosidade: Rinite não é "frescura". Quando mal controlada, ela pode piorar o sono, aumentar o cansaço diurno e favorecer complicações como sinusite e respiração pela boca.
O que causa a rinite alérgica?
Os principais gatilhos (alérgenos) incluem:
- Ácaros da poeira – muito comuns em colchões, travesseiros, sofás, pelúcias e tapetes
- Fungos e mofo – banheiros, áreas úmidas, paredes com infiltração
- Pelos/descamação de animais – principalmente em ambientes fechados
- Pólen – varia conforme estação e região
- Baratas – em algumas pessoas, são gatilho relevante (especialmente em áreas urbanas)
E existem os irritantes (não são "alergia", mas pioram os sintomas): fumaça, perfumes, produtos de limpeza fortes, ar muito seco, poluição e mudanças bruscas de temperatura.
Principais sintomas da rinite alérgica
- Espirros em salva (muito comuns pela manhã)
- Coriza clara e/ou escorrendo
- Coceira no nariz, olhos, garganta ou céu da boca
- Congestão nasal (nariz entupido)
- Olhos lacrimejantes, vermelhos e com sensação de areia
- Pigarro e tosse (principalmente à noite, por gotejamento pós-nasal)
- Cansaço, irritabilidade e dificuldade para dormir
Sintomas em crianças: atenção redobrada
Em crianças, a rinite pode aparecer como respiração pela boca, ronco, sono agitado, "nariz sempre fechado", coceira (a criança esfrega o nariz para cima, o chamado "saudação alérgica") e queda de rendimento por sono ruim.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é principalmente clínico, com base nos sintomas e no exame. Em alguns casos, podem ser indicados:
- Videoendoscopia nasal – para avaliar cornetos, septo, secreções e pólipos
- Testes alérgicos (quando a história sugere alergia e isso muda a conduta)
- Avaliação de comorbidades – sinusite, asma, apneia do sono, refluxo, entre outras
Cuidados essenciais no dia a dia (o que mais funciona na prática)
Controle da rinite é como "tripé": ambiente + hábitos + tratamento.
1. Ambiente doméstico: checklist antiácaro
- Quarto: priorize limpeza úmida (pano úmido) e evite acúmulo de poeira
- Roupas de cama: troque semanalmente; se possível, lave em água mais quente e seque bem
- Capas antiácaros em colchão e travesseiros ajudam especialmente em quem tem sintomas fortes
- Evite tapetes, cortinas pesadas e excesso de pelúcias (se tiver, lave com frequência)
- Mofo: trate infiltrações e mantenha boa ventilação em áreas úmidas
- Ar-condicionado: pode ajudar se os filtros estiverem limpos e com manutenção em dia
- Umidade: extremos atrapalham; ambientes úmidos favorecem mofo/ácaros
2. Cuidados pessoais que fazem diferença
- Lavagem nasal com solução salina pode reduzir secreção, melhorar congestão e ajudar no controle de crises
- Banho e troca de roupa ao chegar da rua (útil para quem reage a pólen/poluição)
- Evite cheiros fortes (perfumes, sprays, incensos) se perceber piora imediata
- Hidratação e sono regular ajudam o corpo a lidar melhor com inflamações
- Óculos de sol em dias de vento podem reduzir irritação ocular em pessoas sensíveis
Lavagem nasal: como fazer com segurança (guia rápido)
A lavagem nasal é uma das medidas mais úteis na rinite, principalmente para quem tem congestão e secreção. Dicas práticas:
- Use solução salina (pronta ou orientada pelo seu médico). Em geral, prefira em temperatura ambiente.
- Escolha um dispositivo confortável (seringa, squeeze, irrigador). O ideal é aprender a técnica correta.
- Incline levemente a cabeça, direcione o jato para a lateral da narina (não para cima) e deixe o líquido sair pela outra narina ou pela boca.
- Frequência: varia conforme sintomas e orientação médica (muita lavagem, em algumas pessoas, pode irritar).
- Se houver dor forte, sangramento importante ou infecções de ouvido frequentes, converse com o otorrino sobre a melhor técnica e frequência.
Tratamento: o que o otorrino pode indicar
O tratamento é individualizado, conforme intensidade e frequência dos sintomas. Opções comuns incluem:
- Anti-histamínicos (antialérgicos) – em geral, os de 2ª geração tendem a causar menos sonolência
- Corticoide nasal – é uma das bases do controle em quadros moderados a intensos (uso correto faz toda diferença)
- Anti-histamínico nasal – útil em alguns perfis de sintoma, inclusive crises
- Terapia combinada (sprays específicos) – para quem não melhora bem com uma única medicação
- Imunoterapia (vacinas) – para casos selecionados, com avaliação adequada dos gatilhos
- Tratamento de comorbidades – sinusite, asma, refluxo, apneia do sono etc.
⚠️ Atenção: Sprays descongestionantes de alívio rápido podem viciar e causar rinite medicamentosa quando usados por muitos dias seguidos. Se você sente que "não vive sem", procure avaliação — existe tratamento para sair desse ciclo com segurança.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
Vale agendar consulta quando:
- Os sintomas persistem por mais de 2 semanas ou voltam com frequência
- Há impacto no sono, no trabalho/estudos ou nas atividades físicas
- Você tem sinusites recorrentes, otites, ronco ou respiração pela boca
- Há uso frequente de sprays vasoconstritores/descongestionantes
- Os medicamentos "de farmácia" não controlam mais
Sinais de alerta (procure atendimento mais rápido)
- Entupimento nasal unilateral persistente
- Sangramentos nasais frequentes ou intensos
- Dor facial forte, febre alta, inchaço ao redor dos olhos
- Perda de olfato importante e persistente
- Falta de ar, chiado ou suspeita de asma descompensada
Mitos e verdades sobre rinite alérgica
- "Rinite é só espirro." — Não. Pode causar congestão crônica, sono ruim, cansaço e até piorar sinusite.
- "Antialérgico sempre dá sono." — Alguns sim (principalmente os mais antigos). Há opções com menor sonolência.
- "Spray descongestionante pode usar sempre." — Não. Uso prolongado pode piorar o nariz e causar dependência.
- "Lavagem nasal faz mal." — Quando bem orientada e com técnica adequada, costuma ser segura e útil.
Resumo prático: o plano dos 7 dias para começar a melhorar
- Organize o quarto (poeira, roupa de cama, capas se necessário).
- Faça limpeza úmida e identifique focos de mofo.
- Implemente lavagem nasal com orientação.
- Evite gatilhos óbvios (fumaça, perfumes fortes, sprays).
- Se usa vasoconstritor, não aumente por conta própria — marque avaliação.
- Acompanhe padrões: piora de manhã? no quarto? na rua? Isso direciona o controle ambiental.
- Se não houver melhora consistente, procure o otorrino para ajustar tratamento.
Como otorrinolaringologista em Madureira e Zona Sul, atendo pacientes com rinite alérgica oferecendo diagnóstico preciso e tratamento personalizado. Agende sua consulta para uma avaliação completa.

